Pàulla Scàvazzini realiza sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro com pinturas que transformam o espaço em experiência sensorial no Centro Cultural Correios, reunindo obras inéditas e instalações de grande escala que convertem pintura em corpo, paisagem e combustão.

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro apresenta a exposição Língua de Fogo, primeira mostra individual da artista Pàulla Scàvazzini no Rio de Janeiro. Com curadoria de Shannon Botelho, a exposição reúne cerca de 25 obras, entre pinturas em diferentes formatos, trabalhos sobre vidro e duas intervenções site-specific de grandes dimensões, concebidas especialmente para o espaço.

Radicada em São Paulo, Pàulla Scàvazzini possui fortes vínculos afetivos com o Rio de Janeiro. Sua família paterna é carioca, e a artista frequenta a cidade desde a infância, mantendo uma relação contínua e íntima com sua paisagem, sua luz e sua atmosfera. Esta primeira individual no Rio marca, portanto, um momento particularmente simbólico em sua trajetória.

Em Língua de Fogo, a pintura deixa de ser apenas imagem para tornar-se acontecimento. Produzidas a partir de uma relação intensamente corporal com a matéria, as obras nascem de movimentos amplos e gestos velozes, como se cada tela preservasse o vestígio de uma dança. Cor, escala e ritmo articulam composições que evocam simultaneamente flora tropical, paisagens em transformação e atmosferas de reconstrução. 

“Mais do que organizar um percurso retrospectivo, o conjunto aqui apresentado evidencia o interesse na capacidade da pintura de tornar visíveis os seus próprios procedimentos, tensões e temporalidades. Todo gesto se inscreve como registro de força, duração e desejo, cada camada de tinta é a memória visual da ação que a constituiu.” —Shannon Botelho

A mostra apresenta um conjunto majoritariamente inédito e amplia investigações recentemente exibidas em Nova York, na exposição Between Utopias and Abyss, com curadoria de Maryana Kaliner, na Kaliner Gallery. No Rio, essa pesquisa ganha novas proporções e encontra na arquitetura do Centro Cultural Correios um campo de expansão.

Entre os destaques está Montanha que Escorre, instalação com cerca de dez metros de comprimento que desce da parede ao chão, dissolvendo os limites entre pintura, espaço e arquitetura. Em outra intervenção, o público é convidado a caminhar sobre a obra, incorporando-se ao fluxo da composição e transformando a experiência visual em experiência física.

As pinturas de Pàulla Scàvazzini partem de referências da botânica tropical brasileira, mas se afastam da representação para construir atmosferas marcadas por intensa vibração cromática. Tons de azul, laranja e vermelho, como diferentes temperaturas de uma chama, traduzem sensorialmente as tensões do presente, entre colapso e reinvenção.

“Entre a aparição e a dissolução da imagem, suas obras afirmam a potência do gesto como aquilo que continua ardendo, mesmo depois do fogo.”—Shannon Botelho

Pàulla Scàvazzini nasceu em São José dos Campos, em 1990, e vive e trabalha em São Paulo. Com formação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado e Licenciatura em Educação Artística pela Faculdade Santa Marcelina, desenvolve uma pesquisa em que a pintura se expande para além da tela e dialoga diretamente com a arquitetura e com o corpo do espectador.

Pàulla Scàvazzini, Aurora, 2022

Ao longo de mais de uma década de produção, a obra de Pàulla Scàvazzini transitou entre retratos, paisagens, formações florais e instalações imersivas, sempre marcada pela intensidade do gesto e pela vibração da cor. Sua prática articula questões ligadas à ecologia, ao colapso contemporâneo e à construção de imaginários de transformação. A artista participou de residências internacionais na Cité Internationale des Arts, em Paris; na Zaratan Arte Contemporânea, em Lisboa; e na School of Visual Arts, em Nova York. Seu trabalho já foi apresentado em instituições e galerias como Paço das Artes, Casa Triângulo e School of Visual Arts, e integra coleções do Museu de Arte Brasileira da FAAP e do Museu Inimá de Paula, além de importantes acervos particulares no Brasil e no exterior.

SERVIÇO: Pàulla Scàvazzini — Língua de Fogo com curadoria de Shannon Botelho. Abertura: 27 de maio de 2026, quarta-feira, das 16h às 20h. Visita guiada com o curador: 16h30. Visitação: 27 de maio – 04 de julho de 2026 | terça-feira a sábado, das 12h às 19h. Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro – 3º andar/sala 1. Entrada gratuita.

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Publicado por:Philos

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